Infelizmente ninguém reuniu ainda, em uma só obra, a trilogia mágica de Bardon; se o fizessem além de reunir em um único tomo toda a base mágica fundamental para aqueles que desejam seguir a senda do Heretismo, também deixaria espaço para mais duas obras nesta listagem. Esta obra encerra sua trilogia, tratando da Cabala.

Como fica claro pelos livros reunidos por este trabalho, a Cabala se tornou uma ferramenta fundamental para o praticante da Arte Mágica. Longe de ser um conhecimento obrigatório a Cabala se revelou muito útil e uma fonte de enorme poder e sabedoria para aqueles que escolhem se dedicar a ela e nesta obra Bardon a expõe de uma forma jamais feita até então, uma das principais características é separar a Cabala do esoterismo judaico, Bardon desenvolve nesta obra um trabalho de desenvolvimento da Cabala Hermética, como ele mesmo escreve: “A Cabala é a ciência das letras, a ciência da palavra e da linguagem, não, porém, do intelectual, mas, preste atenção, a linguagem universal.”

Publicado apenas um ano depois dos dois primeiros livros, pouco antes de sua morte, este tomo, apesar do título, não é dedicado às Sefiroth ou a gematria – um livro mais técnico sobre isso para o estudante que deseja se embrenhar nos detalhes desta ferramenta mística que é a Cabala, deve buscar a obra a Cabala Mística de Dion Fortune. Ao invés disso este livro, dedicado a terceira carta do tarot, o Imperador, tem como foco a ‘voz de comando’, a linguagem criativa e o uso mágico das letras e palavras de poder.

O alerta dado no livro anterior, “A Prática da Evocação Mágica”, continua válido. Ou seja: este livro é inútil na medida em que os dois livros anteriores não forem estudados e praticados a contendo. O requisito mínimo, segundo o autor é que pelo menos o grau VIII do Caminho do adepto seja atingido, mas o ideal é que ele tenha, além disso, alguma experiência com as técnicas de evocação também. Ainda assim, a linguagem criativa é uma habilidade comparativamente muito mais difícil de dominar.

Por este motivo Franz Bardon tenta ser didático e claro como em seus trabalhos anteriores, obviamente que, conforme os assuntos tratados nos livros evoluem, a linguagem também o faz, fazendo com que aqueles que não estiverem acostumados com a linguagem presente no primeiro e segundo livros terem alguns problemas para compreender algumas das idéias expostas.

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